Do surto à palestra em Harvard, conheça a história de Thiago Careca
A sorveteria saiu de milhares de reais por dia para algumas centenas. O faturamento de fim de semana não sustentava a estrutura. O que parecia um problema financeiro virou algo mais profundo: um abalo emocional. Careca se afastou, perdeu o brilho, a motivação, o prazer de sair de casa. O empreendedor confiante começou a se perguntar por que tudo dava errado ali, enquanto outros negócios prosperavam.

No último episódio do ano do G3 Cast, que vai ao ar neste sábado (27), às 19h, com apresentação de Rodrigo Monteiro e Álvaro Costa, o público vai conhecer muito mais do que a trajetória de um empresário de sucesso. Irão conhecer a história de um homem comum, com erros reais, dores profundas, escolhas difíceis e uma capacidade rara de se reerguer.
O convidado da vez é o Careca, acompanhado de sua esposa Isabela, parceira de vida, de negócios e, principalmente, de sobrevivência emocional. O episódio é um mergulho honesto na história da sorveteria que nasceu grande, e, mesmo fechando as portas, abriu um caminho que levaria Careca dos piores dias da sua vida aos maiores palcos do empreendedorismo.
Tudo começou de forma simples. Um almoço, uma caminhada e um sorvete. A ideia surgiu ao ver uma sorveteria lotada, moderna, cheia de conceitos que ainda não existia em Maceió.
O plano era gastar cerca de 800 mil reais. Gastaram mais de 1,3 milhão. Uma sorveteria pensada para todos os públicos, com três pavimentos, obra longa, cara e cheia de detalhes.
A inauguração foi um espetáculo. Casa cheia todos os dias, faturamento médio de cinco mil reais diários, doze funcionários, lucro mensal consistente, parecia o negócio perfeito. Mas, o sucesso inicial trouxe um erro silencioso: parar de estudar o mercado. A cultura local não absorveu o produto como se imaginava.
A sorveteria saiu de milhares de reais por dia para algumas centenas. O faturamento de fim de semana não sustentava a estrutura. O que parecia um problema financeiro virou algo mais profundo: um abalo emocional. Careca se afastou, perdeu o brilho, a motivação, o prazer de sair de casa. O empreendedor confiante começou a se perguntar por que tudo dava errado ali, enquanto outros negócios prosperavam.
Isabela esteve ao lado o tempo todo. Alertou, apoiou, sustentou quando foi preciso. Mas havia uma verdade difícil de aceitar: nem todo sonho precisa ser insistido até destruir quem sonha. O ponto de ruptura veio quando ficou claro que manter a sorveteria estava custando mais do que dinheiro, estava custando saúde, alegria e equilíbrio.
Fechar foi doloroso. Mas também libertador. Funcionários foram indenizados corretamente. Fornecedores honrados. Até o carro da família foi vendido para garantir que ninguém saísse prejudicado.
Foi desse fundo emocional que nasceu algo inesperado. Um convite de última hora para falar em um grande evento. Um palco para mais de três mil pessoas. Sem roteiro, sem marketing, apenas verdade. A história da sorveteria que deu errado virou uma palestra que deu certo. E muito.
Dali em diante, a vida tomou outro rumo. Vieram viagens, eventos pelo Brasil inteiro, dezenas de palestras por ano, reconhecimento nacional. Vieram novos negócios: hot dog, pizza, franquias, treinamentos para empresários. Vieram sócios estratégicos, expansão, maturidade. E, acima de tudo, veio o aprendizado de que empreender também é saber fechar portas para abrir janelas maiores.
Hoje, Careca e Isabela ensinam aquilo que viveram: que sucesso sem equilíbrio não vale a pena; que ouvir quem está ao seu lado pode evitar quedas profundas; e que errar não desqualifica ninguém, desde que se aprenda com o erro.
No episódio do G3 Cast, o público não vai ouvir uma história de vitória fácil. Vai ouvir uma história de verdade. Daquelas que doem, mas curam. Daquelas que provam que, às vezes, o maior sucesso nasce exatamente do negócio que não deu certo.





